ELRIC, GAIMAN e MOORCOCK … os amores da pessoa que vos tecla

foragida de imrryr

 

 

 

 

Por Carla Umbria.

Saudações amigos. Sou Carla Umbria, nas horas vagas atendo pela alcunha de Sra. Vagnerd (e gosto bastante disso!). Aficcionada por literatura fantástica desde que aprendi a ler, nada mais justo que acabar namorando com um maluco como o Vagnerd, e esta foi a melhor parte da minha aventura neste planetinha até agora. Fora isso, escrevo sobre muitas coisas relacionadas a ficção, com uma predileção especial pelo sub-gênero“Sword & Sorcery” ou como está cada vez mais conhecido no Brasil (aleluia!), “Espada e Magia”.

Nestes bailes da vida acabei encontrando duas figuras emblemáticas: Neil Gaiman – muito mais literatura fantástica do que Espada e Magia, embora transite por estes mundos com maestria – e Elric de Melniboné, a obra prima do escritor inglês Michael Moorcock, e o terceiro grande amor da minha vida. O primeiro não foi o Vagner, foi o Shiryu, mas isso demonstra claramente a predileção por morenos altos de olhos azuis e metidos a herói. Em tempo: Vagner passou a frente de Elric e segue firme e forte na disputa, creio que passe a perna em Shiryu muito em breve!

Elric

 

NOTA DO EDITOR: O mais difícil é competir com Sean Connery.

Como primeira participação neste blog, portanto, nada mais justo que escrever sobre o meu personagem favorito que apenas por acaso vem a ser um dos prediletos de Neil Gaiman também, Elric de Melniboné. O Príncipe Albino, Rei Mago, Lobo Branco ou qualquer um dos vários nomes que tenha, é um dos personagens mais importantes – e mais desconhecidos pelos brasileiros, diga-se de passagem – da literatura fantástica mundial.   Michael Moorcock, autor de “ELRIC” e também de dezenas de outras histórias espetaculares dentro e fora do mundo de “Espada & Magia”  foi, segundo o próprio Neil Gaiman, o “culpado por me fazer escrever desta forma, e é muito bom ter alguém a quem culpar” .  Para os fãs da obra de Gaiman, sempre será um prazer descobrir quais as fontes que criaram o estilo de Neil, sem contar que nada disso seria feito em um estudo monótono de textos sobre linguistas da Inglaterra e sim, aproveitando obras tão maravilhosas e velozes como as de Robert E Howard, de quem Moorcock assume ser muito fã. Estas obras  lhe trouxeram as primeiras ideias sobre o Universo dos Jovens Reinos, onde Elric vive. Fora isso, em algumas edições aqui no Brasil, os textos de Moorcock  aparecem unidos as brilhantes ilustrações de P. Craig Russel,  como na série de HQ’s “Navegantes nos Mares do Destino”  e também na obra de arte que é aGrafic Novel “A Cidade dos Sonhos”.

elric-cidadesonhos Isso é fascinante! Se você ainda não conhece algo sobre a história de Elric, dê uma olhadinha no blog “O Silêncio dos Carneiros” onde o camaradaJamerson Albuquerque Tiossi faz um super apanhado de toda a obra de Michael Moorcock acerca de Elric, além de dar  também a colher de chá em mostrar as ilustrações incríveis de P. Craig Russel em uma série de HQ’s que não foi lançada no Brasil, infelizmente, chamada “Stormbringer”. Este  blog seria a maneira mais rápida de conhecer bastante sobre Elric.  A outra maneira seria localizar o  livro de 1975, lançado aqui pela Editora Francisco Alves, chamado “A Espada Diabólica“. Este  material  reúne os contos acerca de Elric, o Principe Albino, que foram publicados separadamente no começo dos anos 60 na revista Science Fantasy e que em 1964 deram origem ao livro chamado “Stormbringer”. A tradução deStormbringer no Brasil ficou como “A Espada Diabólica”.  Vale a pena ler, vale muito a pena ler pessoal, e não sou só eu que digo isso, Gaiman, DioIan Gillan também. Sendo Elric um personagem tão importante dentro do Universo de Espada & Magia, e tendo este gênero tomado proporções gigantescas nos últimos anos, vamos torcer para que mais e mais materiais dele cheguem ao Brasil. Tivemos no ano passado um lançamento de partes da história contida no livro “Elric De Melniboné” em um novo arranjo de ilustradores. Este trabalho chamado “Elric: O Trono Rubi” foi conduzido pela editora francesa Glénat e ainda não tem data de chegada ao Brasil. Agora vocês me perguntam: Mas como assim um personagem  tão importante? Eu nunca tinha ouvido falar deste cara! E eu digo: Calma, você já ouviu sim, e muito, só não sabia que era ele até eu te contar! Quer ver só? Você irá se surpreender! * Você joga RPG? Se sim, aposto que você já teve contato com os livros da famosa editora WHITE WOLF certo?  Pois você sabia que o apelido de Elric fora dos Jovens Reinos é WHITE WOLF? Isso mesmo amigo, a editora tem este nome em homenagem a Elric.

Contra-capa de um suplemento para Vampiro: A Máscara.  Um dos títulos da White Wolf.

Contra-capa de um suplemento para Vampiro: A Máscara.
Um dos títulos da White Wolf. (N.E.)

*  Assistiu “Hellboy II –  The Golden Army” ?  Se sim, deve se lembrar do Príncipe Nuada, não é?  Pois bem, a aparência física e roupas deste personagem foram uma homenagem do diretor Guilhermo del Toro a Elric, de quem também é muito fã. prince_nuada *Você gosta de Deep Purple? Se não, saia daqui imediatamente e faça um seminário sobre rock. Se sim, avance duas casas e ouça “Stormbringer”, escrita para a espada diabólica de Elric, forjada na magia pelo deus perverso Arioch. Agora você está gostando não é? Veja a letra aqui. Detalhe: O tradutor desta letra não sabia da história da espada então, a tradução aparece como “o portador da tempestade” e não como a espada Stormbriger… Mas você irá ver como tudo agora se adéqua perfeitamente. Deep_Purple_Strormbringer * De Blind Guardian você gosta? Se não, preciso ter uma conversa muito séria contigo sobre a vida, universo e os grandes mistérios da humanidade… Se sim, já ouviu “The Quest for Tanelorn” (N.E:do álbum “At the Edge of Time” de 2010) ?  Então, Tanelorn é uma cidade chave dos Jovens Reinos, e sua conquista permitiu que Elric pudesse retornar a cidade central, Imrryr, para tomar o Trono Ruby, que era seu por direito e foi usurpado por seu primo, transformando Elric em um foragido jurado de morte. Gostou? Veja a letra com outros olhos aqui. E por fim, veja a belíssima declaração que Neil Gaiman fez a Michael Moorcock em 2010 neste link. Vou colocar a tradução dela aqui para você. Isso, por si só, dá vontade de sair lendo tudo o que Moorcock tenha escrito até hoje.

 Caro Mike,

Comecei a ler o seu trabalho há trinta anos. Eu tinha nove anos, e o livro era Stormbringer.

 Na época, era um pouco como ter o topo da minha cabeça arrancada e magníficas idéias multicoloridas derramadas lá  dentro.

  Eu li tudo o que pude encontrar que você tivesse escrito, uma vez publicado, vários pés de páginas apareceram rapidamente em minhas estantes ao longo dos próximos anos. Cheguei a ler tudo o que eu poderia encontrar escrito  por pessoas que você mencionou, descobri autores como Mervyn Peake neste processo.

 Eu tinha como certo que um bom autor pode e deve ser capaz de escrever bem sobre qualquer coisa e escrever bem em qualquer gênero ou forma, e dobrar e quebrar os gêneros e regras à vontade, afinal, você fez isso.

 Olhando para trás agora, as coisas que ficaram são os pedaços estranhos e que quase não se encaixam, do romance-jornal dos Sex Pistols (Irene Handl como Sra. Cornelius?) para os pacotes embrulhados em misteriosos jornais do agente chinês* …

Você tem sido uma inspiração. Ou, dito de outra maneira, eu sou provavelmente na maior parte sua culpa.

 É bom finalmente ter alguém para culpar

 Neil Gaiman”

* aqui Gaiman cita outra obra de Moorcock.

 No mais, espero que esta coluna lhe traga novos horizontes acerca de personagens, histórias e lendas deste nosso amado mundo da literatura fantástica. Grande abraço, nos falamos em breve.

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