Conheça a Coleção Duplo Fantasia Heroica [resenha]

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Resenha publicada originalmente no Dinamo Studio Aqui.

capa_duplo-fantasia-heroica_baixaOlá amigos que leem mais do que quadrinhos e justificam a existencia do Odisseia da Literatura Fantástica 2014. A dica dessa semana, a série Duplo Fantasia Heróica, chegou às mãos desse que vos escreve por influência da convenção citada acima.

Imagine um conto de fantasia onde dois heróis precisam se unir para enfrentar os perigos de uma terra desconhecida, cheia de monstros e belas paisagens. Ao falar dessas “terras de encantos mil”, acredito que sua cabeça é tomada por imagens como as da Ciméria de Conan, a Terra-Média da Sociedade do Anel, a cidade de Lankhmar ou o reino de Melniboné de Elric… Certo?

E se eu disser que dessa vez o fabuloso lugar cheio de belezas, enigmas e monstros é o Brasil colonial? E se os tais heróis aventureiros forem personalidades conhecidas da nossa História, como um índio tupi, um bandeirante, um escravo ou um clérigo das Missões? Essa é a premissa por trás da série Duplo Fantasia Heroica que a editora Devir trouxe às livrarias em 2010.

A coleção que, por enquanto, conta com três números traz a cada edição duas noveletas escritas por autores nacionais com história emocionantes em um cenário de aventura mais do que conhecido pelos brasileiros. O mais importante sobre essa série que pertence ao selo Asas do Vento fica pela excelente seleção de histórias.

A Bandeira do Elefante e da Arara

duplo-fantasia-feroica_v02_200-180x300O primeiro conto de cada uma das três edição narram a saga da Bandeira do Elefante e da Arara do escritor (E MEU AMIGO) Christopher Kastensmidt. Na narrativa do volume 1, o explorador holandês Gerard van Oost conhece o guerreiro e escravo africano Oludara e compra sua liberdade para que os dois formem uma bandeira. Garantindo, assim, a licença do governador para aventurarem-se pelas terras brasileiras a procura de mistérios e belas paisagens.

É inegável que Christopher tenha sido influenciado pelo escritor Fritz Leiber. Pois ao narrar a saga dos dois heróis vemos muitos elementos comuns a dupla Fafhrd e Gatuno (os personagens de Lankhmar; mais detalhes). Entre esses elementos, destaco a maneira como Gerard e Oludara resolvem as situações: Sem apelar para os músculos e utilizando a astúcia e esperteza.

O mais interessante é ver que os contos são escritos de maneira linear. Um não depende do outro para que se possa entender, mas ao ler um após o outro é possível ver o crescimento da jornada de cada herói. Como em um romance. É importante ressaltar que o primeiro conto intitulado O Encontro Fortuito de Gerard van Oost e Oludara foi um dos finalistas na edição de 2011 do Prêmio Nebula (o Oscar dos contos fantásticos) que condecora os melhores autores publicados nos Estado Unidos. A primeira aparição da Bandeira do Elefante e da Arara foi na revista Realms of Fantasy.

 

Bruxas nórdicas no Brasil e Magos Europeus nas Missões

duplo_fantasia_heroica_3_capa-186x300Nem só de escravo africano e explorador holandês é formada a cultura tupiniquim. A Travessia descreve a jornada do casal Sjala e Tajarê. A primeira é uma sacerdotisa viking que navegou até o Brasil pré-colombiano (1020 DC) em busca de seu deus Loki; o segundo personagem é um índio nascido e criado na América do Sul.

Tarajê é o protagonista do romance A Sombra dos Homensque fez sua estréia nas páginas da revista de RPG Dragão Brasil e que depois foi compilado e publicado pela Devir. Ambas as obras são escritas por Roberto de Souza Causoque, como eu disse, já tem bagagem como autor fantástico.

Os fatos em A Travessia acontecem após o romance que Causo escreveu anteriormente, porém não é necessária a leitura do livro para acompanhar essa nova aventura sobre a fuga do casal do ataque das guerreiras amazonas em busca das margens do Grande Rio – um enorme curso de água cheio de criaturas abissais.

Embora criativo, Causo mistura a forma escrita com a falada de um índio tupi, deixando a leitura um pouco mais pesada. É necessário um pouco de cautela por parte do leitor ao ler esse conto. É uma leitura complexa, mas o resultado final parece ser um relato do próprio índio.

No terceiro volume de Duplo Fantasia Heróica, lemos O Relato do Herege. Escrito pela gaúcha (Mazaaaah) Simone Saueressig que nos apresenta a Índigo Ruiz Lopes. Um estudante das artes místicas enviado pela colônia portuguesa às terras sulistas (nas Missões). Índigo se apaixona por uma bela índia e é forçado pelo clérigo católico Diego de La Carta a invocar uma terrível criatura dos mitos tupis guaranis. Escrito em forma de diário, é envolvente e pavoroso. Impressiona o leitor saber o que é a entidade a ser invocada.

 

Considerações finais

Deixando as imagens das capas de lado, que acredito não serem muito chamativas – Nunca julgue um livro pela capa, né?. A Coleção Duplo Fantasia Heróica fala sobre verdadeiras proezas de Espada & Feitiçaria realizadas em cenários brasileiros. Ela é mais do que bem-vinda em uma época onde a fantasia floresce na literatura nacional.

É realmente necessário que os novos leitores deixem de lado os elfos, trolls e cavaleiros da cultura européia e abracem a mitos autenticamente brasileiros. Para que nomes como Saci, Curupira e Iara invoquem respeito… E talvez medo.

Ficha Básica – Duplo Fantasia Heroica Volumes 1,2 e 3; Devir Editora; Christopher Kandesmidt, Simone Sauressig, Roberto de Souza Cauzo; Capa Semi-rígida; 128 páginas preto e branco, em papel off-set 90 g/m²; Formato: 9,0 cm × 15,0 cm.

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